Pé e tornozelo
Voltar a pisar sem pensar no próximo passo.
Quem tem dor no pé organiza o dia em torno dela. O trabalho aqui é devolver o movimento que você parou de perceber que fazia.
O dia a dia
Primeiro sai a corrida. Depois a caminhada longa. Depois o sapato que sempre serviu.
Dor no calcanhar ao acordar. Um tornozelo que falha na calçada torta. Um dedo que entortou e agora encosta no sapato. Quem digita isso na busca costuma querer saber uma coisa só: se passa sozinho.
Dor no pé é fácil de adiar. Ela deixa trabalhar, não aparece de fora e quase sempre alivia um pouco depois dos primeiros minutos de caminhada. Então se troca o tênis, encurta o passeio, evita a escada — e chama isso de normal.
O que costuma pesar mais é o tempo. Uma dor de dois dias depois de uma caminhada longa é diferente de uma que acompanha há seis meses; um desvio que estabilizou é diferente de um que continua avançando. Na maioria dos casos, o que muda a conduta não é o quanto dói — é há quanto tempo dói e o que já saiu da rotina por causa disso.
Antes de tratar
Dor no mesmo lugar nem sempre quer dizer a mesma coisa.
O diagnóstico começa antes de qualquer exame. Primeiro a história: a que horas dói, quanto tempo dura, o que melhora, o que piora, e o que mudou nos meses anteriores — calçado, treino, peso, uma torção que pareceu boba. Detalhe pequeno muda conduta, e por isso a consulta é demorada de propósito. A tecnologia entra aqui para não deixar nada escapar: o registro da consulta fica completo e disponível na seguinte, e a imagem é lida com as ferramentas de medição em vez do olho treinado sozinho.
Depois o exame físico: onde dói exatamente ao toque, como o tornozelo responde ao apoio, como o pé encosta no chão durante a caminhada. A imagem entra por último, e a radiografia com carga — feita de pé, com o peso do corpo sobre o pé — costuma mostrar desvios e desabamentos de arco que a mesma imagem deitada esconde. Não é detalhe: os ângulos da deformidade mudam sob o peso do corpo a ponto de mudar a classificação, e medir deitado subestima o que está acontecendo.
Um exemplo de como isso funciona na prática. Dor no calcanhar tem mais de um dono. Na fascite plantar — irritação da faixa de tecido que sustenta o arco do pé — a dor costuma ficar embaixo do calcanhar, é pior nos primeiros passos da manhã ou depois de um tempo sentado, e afrouxa depois de alguns minutos de caminhada. Na tendinopatia insercional do Aquiles — sofrimento do tendão bem no ponto em que ele se prende ao osso — a dor costuma ficar atrás, não embaixo, piora ao empurrar o chão e ao subir escada, e o contraforte do tênis — a parte rígida que envolve o calcanhar — incomoda justamente ali. Quando apertar o osso do calcanhar pelos lados dói mais que apertar o ponto exato, entra na conta uma fratura por estresse, menos comum e que não costuma ceder com alongamento. São dores no mesmo calcanhar com causas e tratamentos diferentes, e o que separa uma da outra é quase sempre o dedo do examinador no ponto certo.
A mesma confusão aparece no dedão. Joanete e hálux rígido — artrose da articulação da base do dedão — doem no mesmo dedo e pedem condutas diferentes. O joanete desvia o dedo para fora e dói na saliência que esfrega no sapato. O hálux rígido quase não desvia: dói em cima da articulação e trava a dobra do dedo para cima, que é o movimento de sair do chão a cada passo. Palmilha, calçado e indicação cirúrgica mudam conforme o caso, e é por isso que vale gastar tempo separando os dois antes de tratar.
Imagem serve para confirmar e para medir, quase nunca para descobrir. Ressonância pedida cedo demais costuma achar alterações que não explicam a queixa e desviar o tratamento para o lugar errado. E nem todo caso fecha na primeira consulta: parte deles só se define pela resposta ao tratamento inicial — o que é informação diagnóstica, e não falha de diagnóstico.
Como se opera hoje
O pé é operado com o planejamento em mãos antes da primeira incisão.
O medo que adia a consulta costuma ser de uma cirurgia que não é mais a que se faz. A imagem que o paciente carrega é a de incisão longa, gesso por meses e apoio proibido — e a mudança das últimas duas décadas foi justamente nesses três pontos.
A partir da tomografia do próprio paciente, o osso é modelado e impresso em 3D antes do procedimento. Isso permite estudar a deformidade com a peça na mão, planejar a correção fora da mesa e conferir a medida durante a cirurgia. Nas técnicas percutâneas, a correção é feita por incisões de poucos milímetros, com o osso acompanhado em tempo real pela radioscopia — o raio-x que mostra a imagem enquanto se opera. São técnicas difundidas, não exclusivas deste consultório.
Toda cirurgia tem riscos, e a lista deles é assunto de consulta, não de site.
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Joanete (hálux valgo)
É desvio ósseo, e o que corrige o desvio é cirurgia. Palmilha, separador e calçado largo aliviam o atrito enquanto se decide, mas não realinham o dedo: uma revisão sistemática do tratamento não cirúrgico concluiu que redução de dor é mais provável que melhora do ângulo (Arthritis Care & Research, 2022). Um ensaio clínico com 209 pacientes comparou cirurgia, órtese e espera: em um ano, melhora em 83% dos operados contra 46% da órtese e 24% da espera — e quase metade de quem esperou acabou operando em dois anos (JAMA, 2001). Sobre como operar, meta-análises que compararam a técnica percutânea com a aberta encontraram correção equivalente e complicações semelhantes, com menos dor no pós-operatório imediato e cirurgia mais curta na percutânea.
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Fascite plantar e dor no calcanhar
A maior parte responde a alongamento da panturrilha e da planta do pé, ajuste de calçado e de carga, e às vezes uma órtese noturna — tala usada para dormir com o pé esticado — ou infiltração. Costuma levar meses, não semanas. Quando a dor atravessa esse tempo sem ceder, a cirurgia entra na conversa, e hoje é feita por técnicas bem menos agressivas que as de antigamente.
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Entorse e instabilidade de tornozelo
Quando o tornozelo continua falhando em terreno irregular meses depois da entorse, apesar de fisioterapia bem feita, costuma se tratar de instabilidade: o ligamento cicatrizou frouxo. A reconstrução do ligamento é procedimento de rotina, boa parte das vezes por via artroscópica ou com incisões pequenas, e o que se busca é devolver o apoio confiável antes que a frouxidão comece a desgastar a cartilagem.
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Tendão de Aquiles
Na tendinopatia, quando o tendão dói e engrossa sem romper, a carga progressiva costuma render mais que repouso completo, e a melhora se conta em meses. Ruptura é outra história: acontece de repente, com estalo e perda de força para empurrar o chão, e a escolha entre operar e imobilizar depende da idade, da demanda de cada um e do tempo até o atendimento.
Quem conduz
Formação não trata ninguém. Ela explica por que a conduta é essa.
Formado em 2010. Ortopedia e traumatologia na Santa Casa de Misericórdia de Curitiba, e a subespecialização em cirurgia do pé e tornozelo no COT Martagão Gesteira, em Salvador. Desde 2014, só pé e tornozelo.
Um recorte estreito tem uma consequência prática: você vê a mesma queixa se comportar de dezenas de maneiras diferentes, e é isso que permite reconhecer o caso que foge do padrão — que é onde o erro costuma morar. Título, sociedade e hospital dizem por onde alguém passou. O que eles não dizem é como a pessoa decide, e é por isso que o diagnóstico e o tratamento vêm antes disto.
Membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia e da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé.
A técnica muda rápido, e parte do que se aprende na residência envelhece. Em 2025, um período de observação no serviço de pé e tornozelo do Northwestern, em Chicago, com o Dr. Anish Kadakia, que dirige o fellowship de pé e tornozelo de lá. O que veio de volta foram técnicas menos invasivas — difundidas mundo afora, não exclusivas daqui — e mais firmeza para indicar a via certa em cada caso: percutânea quando o osso comporta, aberta quando a correção exige.
Tecnologia entra onde muda decisão. A partir da tomografia do próprio paciente, o osso é modelado e impresso em 3D antes da cirurgia: dá para estudar a deformidade na mão, planejar a correção fora da mesa e conferir durante o procedimento. O planejamento e a impressão são feitos aqui, não terceirizados.
No 55º Congresso Anual da SBOT, em Brasília, em 2023, aula sobre fraturas do pilão tibial no Dia da Especialidade — das fraturas mais difíceis do tornozelo. Parte dela era sobre quando o implante mais caro não muda o resultado, e o que muda no lugar dele. E um capítulo de livro sobre deformidades do antepé: o mesmo terreno do joanete e do hálux rígido descritos aqui em cima.
O registro é público. O número do CRM está nesta página e pode ser conferido na busca aberta do Conselho Federal de Medicina — vale fazer isso com qualquer médico antes de uma cirurgia.
A recuperação
O dia da cirurgia é o mais curto do tratamento.
A parte que o paciente teme dura algumas horas; a que decide o resultado dura meses. A cirurgia trata a estrutura — busca realinhar um osso, refixar um tendão, estabilizar uma articulação. Quem trabalha a função é a etapa seguinte, e essa costuma se contar em meses. O caminho costuma ter ordem, e cada degrau costuma abrir só quando o anterior fecha: proteger a região operada, voltar a apoiar o peso aos poucos, recuperar a dobra do tornozelo e a força da panturrilha, e só no fim treinar o gesto que a pessoa quer de volta — a escada, a caminhada longa, a corrida. Quais são os degraus, e quanto dura cada um, muda conforme o que foi operado. Pular etapa costuma custar tempo, não poupar.
Boa parte do trabalho é do paciente, e isso pesa na hora de decidir operar. Envolve fisioterapia na frequência combinada, exercício em casa nos dias entre as sessões, e respeitar a carga liberada mesmo quando o pé parece pronto antes da hora. Envolve também conviver com o que assusta quem não foi avisado: o inchaço do pé operado costuma durar meses e piora no fim do dia, a cicatriz fica endurecida por um tempo, e o sapato de sempre costuma voltar a servir bem depois do que se imagina. Toda cirurgia tem riscos, e a lista deles é assunto de consulta, não de site.
A liberação para o esporte costuma ser decidida por critério, não por calendário: força comparável à do outro lado, apoio confiável em terreno irregular, o gesto repetido sem dor no treino antes de valer no jogo. Na maioria dos casos a recuperação segue essa ordem, e ainda assim o ponto de chegada varia — depende do que foi operado, de há quanto tempo o problema existia, da idade e do que a pessoa faz no dia a dia. E nem toda recuperação chega ao ponto que a pessoa queria. Por isso o que se combina antes de operar é o alvo: aonde ela quer voltar a chegar, e a que custo de tempo. Esse alvo se persegue etapa por etapa. Não se promete.
O consultório
Quando a dor já organiza o dia, vale conversar.
A consulta é presencial, em Vitória da Conquista. A primeira costuma levar mais tempo que as seguintes, porque a maior parte do diagnóstico está na história e no exame físico. Vale levar os exames que já existem, mesmo os antigos, e o calçado de uso diário — o de trabalho e o de treino. Sola gasta conta uma história que o paciente não lembra de contar.
O consultório fica no Centro Médico Otávio Santos, sala 407. O atendimento cirúrgico acontece também no Hospital IBR, no Hospital SAMUR e no Hospital de Clínicas de Conquista, e cada um tem a própria marcação — mas o caminho mais direto é o contato do consultório.
O começo é entender o pé que chega. O resto se decide depois, junto.
- WhatsApp e telefone (77) 98138-8238
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Endereço
Centro Médico Otávio Santos, sala 407
Av. Otávio Santos, 227 — Recreio, Vitória da Conquista — BA